A Publicidade é um CADÁVER que nos sorri

Você, publicitário preguiçoso da leitura, não prossiga!

Abaixo, destaco alguns curtos e pequenos trechos do livro "A Publicidade é um cadáver que nos sorri" de Oliviero Toscani, delirem:

CRIME DE INUTILIDADE SOCIAL. Por que as grandes empresas de automóveis nunca lançaram verdadeiras campanhas de conscientização contra a embriaguez ao volante, excesso de velocidade?Por que a publicidade, a “comunicação”dessas empresas, não aborda nunca os grandes problemas sociais acarretados pela invasão do automóvel?

A Fiat italiana, por exemplo, despende centenas de milhões de dólares em publicidade através do mundo. E em nossos dias a reputação da Fiat continua sendo deplorável. Imaginem se a Fiat resolvesse lançar-se a uma comunicação mais social, por exemplo com os toxicômanos e as suas famílias, a fim de sensibilizara opinião para o financiamento dos programas de metadona, criaria uma dinâmica sem precedentes. Hoje todos os automóveis se parecem. Como mostrar a diferença entre eles senão pelo engajamento, uma visão do mundo, tomadas de posição, criatividade?

“Durante a agonia, a venda continua”, declarava uma vítima da Aids na legenda da foto que julgava com isso ter encontrado uma maneira de protestar contra os meus anúncios que evocavam o drama da Aids. Ora, eu mesmo estou de acordo com a idéia terrível deste slogan.Durante a agonia dos acidentados nasa estradas, a venda deve continuar.Durante a agonia dos que sofrem de câncer, a propaganda tabagista deve continuar. Durante a agonia de milhões de alcoólatras americanos e europeus, a publicidade nos excita com belas garotas abraçando garrafas.

Os publicitários não cumprem a sua função: comunicar. Carecem de ousadia e de senso moral. Não refletem sobre o papel social, publico e educativo da empresa que lhe confia o orçamento. Preferem despender milhares de dólares para galopar atrás de um Citroen . Não querem pensar nem informar o público, com medo de perder os anunciantes. A responsabilidade deles é imensa.

CRIME DE MENTIRA. A publicidade não vende produtos nem idéias, mas um modelo falsificado e hipnótico da felicidade, seduzir um grande publico com um modelo de existência cujo padrão exige uma renovação constante de todos os objetos do dia-a-dia.A publicidade oferece aos nossos desejos um universo subliminar que insinua que a juventude, a saúde, a virilidade, a feminilidade dependem daquilo que compramos.

CRIME CONTRA A INTELIGÊNCIA. A publicidade nos propõe um mundo de ninharias entusiastas cada vez mais batidas nestes tempos de crise econômica e espiritual. De tanto ver esse mundo, o publico já se sente cansado, de tanto ouvir as eternas musiquinhas, o consumidor já está ficando com raiva dos anúncios, foge dos comerciais, não memoriza mais, a publicidade torna-se transparente. “A publicidade vende felicidade, repetem todos os grandes pensadores da comunicação, e os slogans refletem isso.

CRIME CONTRA A LINGUAGEM. Os truques grosseiros da publicidade saltam à vista desde que se preste atenção nos seus slogans. Bobos. Repetitivos. Pobres. Imbecilizantes. São sempre as mesmas receitas para os mesmos pratos. Assim, uma propaganda precisa elogiar a qualidade do o produto que ela promove. Os slogans das agencias descarregam as palavras “experiência” e “qualidade”nos comerciais.

CRIME CONTRA A CRIATIVIDADE. Um dos mais velhos ganchos da publicidade no qual ela insiste ,e que todo o esforço de produção de bens de consumo adapta-se às suas necessidades, dirige-se as pessoas e não as massas. O dinheiro gasto torna-se uma mera formalidade, porque de qualquer maneira “você “ vinha sonhando com isso.

Se nos contentássemos apenas com estas três formidáveis palavras, fulgurantes de invenção, “qualidade”,” experiência” e “você”, conseguiríamos um bom bocado de slogans publicitários. Combinando-os de maneira aleatória, pode-se com certeza anunciar um caminhão inteiro dos novos slogans, se é que já não existem: o sabor da qualidade; A qualidade da experiência; a experiência para você; etc.

Acrescentem a essas poucas palavras-chave as três receitas mais do que batidas dessa grande ciência publicitária. Existe o golpe de colocar em tudo “mais’, bem mais, “melhor” ”verdadeiro”: quando somos bem mais, somos melhores . A astúcia da palavra engraçada inventada a partir do produto: vencer é esportemidável(Loto sportif), etc. Há também o truque da oposição dos termos:o menor dos grandes prazeres, etc.

- A publicidade é o contrário do amor. Promete tudo e não dá nada. É o catecismo da religião do consumo.

A agência é o reino da assepsia e da mediocridade. Sempre se encontra um chefe medroso, que fala de direito divino – o ponto de vista do cliente -, capaz de cortar o pescoço diante de qualquer ousadia. Vêm em seguida o diretor de arte e o diretor de criação . Estes dois pretendem ter o grande saber da arte. Têm plena confiança em sua intervenção. Assim que intervêm diante e um verdadeiro artista – este, que tateia e avança passo a passo -, tratam-no com grosseria, aterrorizam-no e acabam por lhe cortar as asas. Esta tragédia se repete a cada dia, em todas as agências do mundo inteiro.

- Quando Gustave Eiffel propôs a construção de uma torre de metal de trezentos metros de altura à margem do Sena, riram na cara dele, os grandes espíritos começaram a dizer que ia desfigurar a capital da França . Somente os artistas, os precursores o saudaram. Hoje a Torre Eiffel é o símbolo de Paris.

Toda a publicidade precisa ser reinventada.

Exposição reúne obra do radical Joseph Beuys

Joseph Beuys (German pronunciation: [ˈjoːzɛf ˈbɔʏs]; May 12, 1921, Krefeld – January 23, 1986, Düsseldorf) was a German performance artistsculptorinstallation artist, graphic artistart theorist and pedagogue of art.
His extensive work is grounded in concepts of humanism, social philosophy and anthroposophy; it culminates in his "extended definition of art" and the idea of social sculpture as a gesamtkunstwerk, for which he claimed a creative, participatory role in shaping society and politics. His career was characterized by passionate, even acrimonious public debate, but he is now regarded as one of the most influential artists of the 20th century.[citation needed

via Folha:

"Arte, política e ecologia", afirma, gesticulando, Antonio D' Avossa, da Academia de Arte de Milão, ao encontrar a reportagem da Folha.

"Essas são as três vertentes principais da mostra", afirma o italiano, curador da exposição "Joseph Beuys, a Revolução Somos Nós", que será aberta ao público, hoje, no Galpão do Sesc Pompeia.

Uma das principais mostras paralelas à 29ª Bienal de São Paulo, que será inaugurada na próxima semana, "A Revolução Somos Nós" apresenta 265 obras do artista alemão: 40 múltiplos, 205 cartazes e 20 filmes.
Com cenografia de André Vainer, os pôsteres circundam todo o espaço expositivo, que tem no centro os múltiplos. Em quatro cantos há projeções dos filmes.
"Tudo aqui está relacionado. A ideia foi de que de qualquer lugar da sala fosse possível ver o Beuys em ação", conta Solange Farkas, diretora do Videobrasil, que organiza a mostra com o Sesc.

A grande quantidade de pôsteres, muitos assinados pelo próprio Beuys (1921-1986), inclusive o que ele fez quando participou da Bienal de São Paulo, em 1979, se deve ao seu caráter inovador.
"Ele se apropriava da propaganda, que é a função do cartaz, para com isso fazer política", conta D' Avossa.

No caso do cartaz para São Paulo, seu objetivo não era nada modesto: "Conclamação para uma alternativa global" propunha "acabar com as muralhas ideológicas entre Oriente e Ocidente (...) e superar o abismo entre o Norte e o Sul".

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AÇÃO HISTÓRICA

Um dos destaques da mostra é o pôster da ação histórica "I Like America and America Likes Me", realizada em 1974, na galeria René Block, em Nova York. Parte do registro dessa performance --três dias em que Beuys ficou trancado com um coiote numa jaula_ aliás, pode ser vista na programação em vídeo.
Beuys foi um dos artistas mais radicais de seu tempo. Fundador do Partido Verde na Alemanha, uma de suas ações mais conhecidas foi plantar 7 mil carvalhos em Kassel, durante a Documenta de 1972.
O projeto para essa ação é outro dos múltiplos em exibição. Já no sábado, às 10h, sete árvores brasileiras serão plantadas no Sesc, durante a abertura do seminário internacional dedicado ao artista.

JOSEPH BEUYS - A REVOLUÇÃO SOMOS NÓS
ONDE Galpão Sesc Pompeia (r. Clélia, 93, tel. 0/xx/11/3871-7700)
QUANDO de ter. a sáb., das 10h às 21h.; dom., das 10h às 20h; até 28/11
QUANTO entrada franca